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ARTIGO

O caos se aproxima

 
Por Adilson Cordeiro
Vice-presidente e conselheiro do CRCSC

Criado em 2007, o Sistema Público de Escrituração Digital
(Sped) muda drasticamente a forma como as empresas
repassam suas informações para o Fisco, aposentando
o uso de papel em favor do meio eletrônico.
Um de seus principais objetivos é agilizar e facilitar a
comunicação entre o contribuinte e a autoridade fiscal,
seja ela federal, estadual ou municipal. É uma grande
revolução, que impõe grandes desafios e, também, cria uma
enorme oportunidade de negócios. Um caminho sem volta,
pois integra as informações, sendo uma poderosa ferramenta
de fiscalização e combate à sonegação.

Muito bem recebido inicialmente – pois acenava com a redução
das quase 100 obrigações acessórias que hoje as empresas
necessitam prestar ao Fisco –, o Sped se transformou em
pouco tempo em mais um ponto de preocupação para
empresários e profissionais da contabilidade.

O sistema foi implantado gradativamente: primeiro, foi criado
o Sped Contábil (que numa tradução rápida prevê o envio dos
livros e demais informações contábeis assinados digitalmente),
depois o Sped Fiscal (que incluiu os livros fiscais de entradas
e saídas, inventário, etc.) até chegar agora à Escrituração
Fiscal Digital (EFD) do Pis/Cofins. Para 2012, teremos o Sped
Social, obrigando que o registro de empregados, a rescisão,
o controle do ponto, a folha de pagamento, bem como outros
dados relacionados à área de recursos humanos, sejam
enviados de forma eletrônica.

Por conta de todas essas mudanças, nós – enquanto
profissionais da contabilidade – estamos, na prática,
constatando um “desespero” geral dos empresários e de
nossos próprios colegas, pois as dificuldades e a
complexidade de instalação do sistema, cadastro, manutenção,
gerenciamento e validação são enormes. Sem contar os custos
altíssimos. Quem teve sérias dificuldades em relação ao Sped
Fiscal deve se preparar para enfrentar mais problemas com
a EFD Pis/Cofins. Desenvolvedores de softwares alertam que
serão mais de 150 informações e mais de mil campos a serem
preenchidos, requerendo inclusive informações bancárias dos
clientes.

Terão as empresas desenvolvedoras de software capacidade
de absorver todas essas mudanças? Terão os empresários
condições para instalar e fazer a manutenção desse sistema,
num mercado em que vive um apagão de mão-de-obra?

Dentro desse quadro, nossa sugestão é que o governo
desenvolva um leiaute único, que atenda tanto o pequeno
como o grande empresário e, também, que haja a integração
de todos esses “braços” do Sped por parte dos entes
governamentais, atingindo todas as atividades (comércio,
indústria, serviços) e com um único validador de informações
para uso do contribuinte.

Artigo publicado em 07/09/2011

Fonte: Crc.JusBrasil